Biografia

Fresno – 15 Anos ao Vivo Experiente, consagrada e de olho no futuro, a banda eterniza sua trajetória em um DVD – e dá início a um novo capítulo de sua história.

Fresno – 15 Anos Ao Vivo é um produto de celebração que só existe porque a banda tem todo o direito de fazê-lo. Quantos grupos de rock surgidos no Brasil nas últimas duas décadas podem se dar ao luxo de comemorar tanto tempo de existência? Apesar do emblemático “15”, a Fresno, como os próprios integrantes se autodenominam, está muito longe de ser uma mera debutante inexperiente. E nesses tempos tão efêmeros em que quase nada faz sucesso por mais de um verão, tal longevidade é um acontecimento digno de tamanha comemoração.

O show foi registrado em uma única noite – 16 de outubro de 2014 –, no Audio Club, em São Paulo. A casa estava naturalmente lotada, já que os fãs fiéis não perderiam a chance de acompanhar a banda naquele momento singular para a posteridade. E se há uma coisa de que a Fresno pode se orgulhar, é de ter seguidores fiéis. Eles não apenas contemplam e apreciam, mas participam, interagem e dão suporte, seja lá qual for a proposta do grupo. E em Fresno – 15 Anos Ao Vivo, a missão é explicar ao mundo o verdadeiro significado de um show da Fresno, conforme define o vocalista Lucas Silveira. “Esse projeto é como um resumo de duas horas que tem a intenção de englobar tudo que somos capazes musicalmente, e também a maneira com que isso impacta nossos fãs, que são mais do que imprescindíveis na comunicação da nossa mensagem”, diz.

E para passar essa mensagem, Lucas e seus companheiros – Gustavo “Vavo” Mantovani (guitarra), Mário Camelo (teclados) e Thiago Guerra (bateria), ainda acompanhados por Tom Vicentini (baixo) –, não pouparam recursos, esforços e em momento algum pensaram pequeno. As nuances de cada música são incrementadas por efeitos especiais de iluminação e imagens abstratas refletidas em um enorme telão de LED espertamente posicionado diante da banda durante a primeira música, “À Prova de Balas”. As cores também surgem como uma ferramenta essencial para narrar essa epopéia musical. “Procuramos explorar toda gama dinâmica que existe entre um trecho quieto de guitarra e voz até um épico final de música instrumental com um peso que ainda não tínhamos atingido na nossa carreira”, conta Lucas. “E toda a estrutura de luz e projeções precisava nos ajudar a contar essa história.” No início, o branco predominante faz o paralelo com o surgimento do universo, enquanto outras cores e formas começam a se destacar a partir da quarta música, “A Minha História Não Acaba Aqui”. Ao longo de duas horas, símbolos vão ilustrando o conteúdo das letras de um modo metafórico e pouco óbvio. São esses pequenos detalhes, elaborados pela Fresno em conjunto com a equipe do diretor Raoni Carneiro, que brilham nas entrelinhas e fazem toda a diferença.

Na hora de decidir o setlist de 25 músicas, a banda optou por deixar de lado algumas faixas emblemáticas para privilegiar o dinamismo do show. “Com a gente não existe distinção entre hits e músicas 'de catálogo'”, explica Lucas. “As pessoas simplesmente cantam todas. Isso nos possibilitou deixar alguns hits de fora, pelo fato de que não estavam 'casando' com o setlist. E sabíamos que a galera cantaria com todas as forças as músicas que colocamos no lugar desses hits.” Os álbuns Revanche (2010) e Infinito (2012) ocupam a maior parte do repertório, mas há espaço para algumas composições da primeira fase da banda, além de várias faixas do mais recente EP, Eu Sou a Maré Viva (2014).

E o público realmente fez sua parte – se quisesse, a banda até poderia abrir mão de cantar, porque a multidão daria conta do recado. A presença engajada dos fãs é evidenciada por uma câmera estrategicamente posicionada no meio da plateia e reforçada na mixagem do áudio do DVD, que faz da voz coletiva um instrumento sonoro a mais. “É o mais próximo que se pode chegar com uma mixagem de uma experiência presencial”, define o vocalista.

De tão próxima e intensa que foi a relação com os fãs, Lucas mal conseguiu conter suas emoções, e nem tentou escondê-las. Seus discursos improvisados em voz embargada entre uma música e outra soam como as mensagens definitivas de uma pessoa que tem a certeza de ter alcançado seu propósito na vida. “Chorei em muitos momentos, mas foi um choro de triunfo”, ele confessa. “Algo como um misto de alívio e realização e uma quase incredulidade por tudo aquilo ter dado certo, realmente estar acontecendo e sendo filmado para a eternidade. É algo muito forte.”

Foram 15 anos de uma trajetória incansável e tortuosa, com eventuais acidentes de percurso e alguns feridos pelo caminho. Superando rótulos, sobrevivendo a modismos e se reinventando quando parecia acabada, a Fresno venceu sua corrida particular. Com este DVD comemorativo, a banda não apenas consolida uma saga vitoriosa, como também abre as portas para um futuro ambicioso que ainda não está escrito. “Esse lançamento coroa a história de 15 anos e dessas músicas, que são maiores do que nós. E inaugura um novo momento, em que nos posicionamos acima de tudo que já realizamos na nossa carreira”, decreta Lucas. “Por isso é uma explosão de realização celebrar, enquanto muitos acreditam enganadamente que o rock brasileiro está morto.” No que depender de tantas boas intenções, a história da Fresno não acaba aqui: ela está apenas (re)começando.

Pablo Miyazawa
Maio de 2015


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